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Seu Bonanza

Seu Bonanza nasce em 2009 como o primeiro espetáculo solo de Rodrigo Costa e marca o início de uma pesquisa na linguagem da palhaçaria que, desde então, vem se aprofundando e se desdobrando em diferentes processos de criação e apresentações. Ao longo de mais de quinze anos, o espetáculo tem circulado por festivais nacionais e internacionais, além de mostras de teatro e de circo, consolidando-se como uma obra em permanente reinvenção. Em cena, Seu Bonanza se encontra em uma situação nada confortável: é um prisioneiro dentro de uma cela. A partir desse conflito - estar preso -, o palhaço transforma seus próprios limites em matéria de jogo e criação. Sem o uso da palavra falada, a dramaturgia se constrói no jogo cômico com os objetos, que têm seus sentidos ressignificados e se transformam em poesia visual. Por meio da linguagem da palhaçaria, o espetáculo encontra, na alegria, um caminho possível de liberdade e de encontro generoso com o público, mostrando que a cena, assim como o palhaço Seu Bonanza, permanece viva porque se transforma continuamente no diálogo com o mundo.

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Em uma cela apertada vive o palhaço Seu Bonanza. Ninguém sabe ao certo o que o levou até ali. Enquanto espera uma oportunidade de fuga, ele passa o tempo brincando com objetos e inventando, diante de nossos olhos, um mundo onde a alegria resiste. No encontro com o público, Seu Bonanza se revela um prisioneiro inofensivo. Sua prisão não parece resultado de um erro cometido, mas de sua maneira ingênua e inadequada de estar no mundo. Sem o uso da palavra falada, o espetáculo se constrói a partir de uma linguagem essencialmente visual, na qual a palhaçaria nasce de forma simples e delicada, no jogo cômico entre o palhaço e os objetos que se tornam seus companheiros de cena.

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Foto: Marina Wang

Ficha técnica

Pesquisa, criação e atuação:

Rodrigo Costa

Composição e Operação de Luz:

Thiago Leite

Arte gráfica:

Fernando Ito

Videomaker:

Marcus Felipe D’ Antônio (Meninão)

Concepção, produção e realização:

Núcleo de Pesquisa, Criação e Produção em Palhaçarias

Duração do Espetáculo: 45 min

Faixa Etária: Livre

Proposta de Encenação

O espetáculo Seu Bonanza é fruto do percurso formativo de Rodrigo Costa como palhaço Seu Bonanza. Ao assumir o nome do palhaço, o trabalho apresenta a singularidade dessa trajetória, na qual formação e criação se entrelaçam na construção da obra. Ao longo dos anos, esse caminho foi sendo atravessado pelos encontros com mestres e mestras da palhaçaria, a partir de apontamentos e conselhos fundamentais para a continuidade de seus aprendizados e de sua pesquisa. Entre esses mestres e mestras estão, Alexandre Simioni, Ricardo Puccetti, Chacovachi, Naomi Silman, Lily Curcio, Ângela de Castro, Nany Cogorno, Biribinha e Leris Colombaione. Nas palavras do próprio palhaço: “Seu Bonanza nasceu com a alegria de querer brincar de cavalo em toda a oportunidade que se apresentava em jogo, me levou ao encontro da energia e a inquietação de um menino que está constantemente à procura da brincadeira na rua e no quintal: pula muro, solta pipa, joga pedra, transforma galhos e latas em brinquedos e é capaz de surpreender um adulto com alguma travessura inesperada”. A alegria do palhaço Seu Bonanza desabrocha no enredo simples que estrutura o espetáculo: um palhaço preso em uma cela e sua tentativa de fuga. Desde o início, explicita-se o conflito central da ação, materializado em um único objeto - uma grade de pendurar roupas - que, no jogo cênico, passa a operar como metáfora da cela. É a partir da relação com esse objeto que o palhaço constrói sua condição de prisioneiro, desdobrando, por meio do jogo cômico ações e situações sem o uso da palavra. Assim, desde a entrada do público, Seu Bonanza já está em cena, preso em uma cela. Não há explicações sobre os motivos de sua prisão, e essa ausência de justificativa se mantém ao longo de todo o espetáculo. No entanto, à medida que o palhaço vai construindo sua relação com a plateia, torna-se evidente que ele não é um prisioneiro violento ou perigoso. Ao contrário, revela-se um palhaço ingênuo, inofensivo e generoso, sempre aberto à brincadeira. Essa relação sincera e bem humorada com o público, própria da linguagem da palhaçaria, provoca uma outra leitura sobre sua condição de prisioneiro: Seu Bonanza não está preso por aquilo que fez, mas por aquilo que é, um ser inadequado aos padrões estabelecidos e socialmente aceitáveis. A encenação, assim, deixa entrever que esse é o preço pago por quem insiste em ser, de forma íntegra e poética, aquilo que realmente é. No espetáculo, o jogo é o elemento que sustenta a relação do palhaço com os objetos e com o público. Ele instaura um estado de disponibilidade e generosidade em Seu Bonanza, conduzindo-o a responder de forma espontânea e intuitiva às diferentes circunstâncias de improvisação que surgem ao longo da cena. O foco do jogo está em como se manifesta essa condição de prisioneiro e nos conflitos que emergem da convivência com o espaço da cela. Desse modo, o palhaço expõe seu ridículo e sua vulnerabilidade na solidão do cárcere; busca dar vazão à tristeza cultivando amizade com um rato; preenche o silêncio entregando-se ao som do acordeom; e, para passar o tempo, brinca com tudo o que encontra ao redor: salsichas, caca de nariz, água suja e, sobretudo, os visitantes da cela - o público que se faz presente. Movido pelo desejo de escapar, Seu Bonanza coloca em curso seu plano de fuga e, nesse movimento compartilhado, experimenta junto ao público o prazer e a alegria de uma liberdade sempre provisória. Ao estabelecer uma relação lúdica e inventiva com os objetos, o espetáculo apresenta uma possibilidade técnica, criativa e poética para o jogo e a descoberta da comicidade, no qual a materialidade cênica deixa de cumprir uma função meramente utilitária para tornar-se elemento propulsor da ação e da narrativa dramatúrgica. A cela, não se apresenta apenas como signo de confinamento, mas como um espaço aberto à imaginação e à descoberta de ações e situações cômicas. É justamente na fricção entre limite e invenção que o espetáculo encontra sua força poética. A prisão, de Seu Bonanza, converte-se em estímulo para o brincar, fazendo emergir um repertório de situações cômicas que revelam a capacidade do palhaço de reinventar o mundo a partir da escassez. A encenação, portanto, se consolida através de uma pesquisa cênica continuada sobre os objetos e a linguagem da palhaçaria. Os objetos se colocam em um lugar propício para o palhaço Seu Bonanza descobrir novos mundos. Nesta ocasião, o universo misterioso de uma cela é desvendado por uma alegria curiosa, irreverente e que subverte a, muitas vezes triste, realidade que o cerca.

@2026 Rodrigo Costa

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