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Foto: Rodrigo Costa

ateliê

Nos fundos da casa do Seu Bonanza existe um lugar onde o tempo desacelera e as coisas ganham o direito de se reinventarem com a graça e a beleza da poesia. Seu ateliê, pequeno, artesanal e cheio de sonhos, é onde se constrói a poética do palhaço Seu Bonanza. Ali, entre objetos encontrados, ferramentas e invenções inacabadas, nasce a pesquisa que o acompanha há mais de quinze anos. Esse espaço remete ao “Espaço de Ser Inútil”, de Manoel de Barros, poeta que mantinha em sua casa um recanto dedicado ao cultivo daquilo que não servia para nada, exceto para o fazer poético, para criar encantamentos e aumentar o mundo. O ateliê funciona do mesmo modo: é um espaço onde a inutilidade se torna criação, onde o que é pequeno é visto com exuberância, onde um objeto pode revelar uma dramaturgia inteira. Ali, a matéria respira. Ali, o objeto encontra sentidos pela expressão e a poesia do humor. Ali, a criação acontece sem pressa, sem finalidade de servir, sem o tempo da produtividade em larga escala, apenas com presença, com disciplina, com o prazer e a alegria de ser e fazer palhaçaria.

Trabalhar no fundo da própria casa é também uma escolha ética: manter a arte perto da vida. O ateliê é atravessado por sons cotidianos, pelo cheiro do café, pelo vento do quintal. É nesse ambiente íntimo, doméstico e imperfeito que Seu Bonanza ganha corpo. O palhaço nasce do encontro entre o simples e o extraordinário, entre o banal e o poético, quando o inútil se transforma em jogo e comicidade.

O ateliê é mais do que um espaço: é a prática  teatral como modo de vida. É o exercício de escutar os objetos e permitir que eles conduzam o jogo. É a delicadeza de transformar quase-nadas em alegrias. É a artesania que tece o pensamento, o corpo e a cena. No ateliê, a pesquisa se torna ação: o palhaço desperta sua disponibilidade, experimenta a alegria como jogo e descobre, junto aos objetos, novas formas de existir em cena. É ali que a comicidade se reinventa, que a poesia se instala e que o mundo parece caber dentro de uma bola de gude.


O ateliê é, como inventou Manoel de Barros, um espaço de ser inútil.

@2026 Rodrigo Costa

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telefone

(15) 996982542

endereço

Estrada Municipal Tatuí Laranjal Paulista nº 3000

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