

Seu Bonanza em... Jogo do Amor
Rodrigo Costa apresenta seu segundo espetáculo solo como o palhaço Seu Bonanza, um trabalho em que o humor da palhaçaria encontra o universo das relações amorosas. No jogo cômico com objetos, Seu Bonanza brinca com os padrões sociais do amor, subvertendo esse tema tão recorrente e, muitas vezes, tratado como clichê, para um zona de risco, ironia e subversão. Dialogando com a linguagem da palhaçaria, a encenação incorpora elementos do cinema: em cena, Seu Bonanza brinca com a ideia de gravar um filme de amor. É nesse espaço lúdico que o palhaço descobre signos cinematográficos como matéria dramatúrgica, construindo uma narrativa que estabelece com o público, uma relação de cumplicidade e partilha. É na tentativa de dirigir esse filme que o palhaço se revela como alguém que ama, erra e recomeça. Com humor e poesia, expõe seus absurdos, contradições e delírios na busca incessante de sentido para os afetos que nos atravessam. Ao tornar visíveis suas próprias fragilidades amorosas, Seu Bonanza espelha tropeços que, no fundo, pertencem a todos nós.


Em meio a um set de filmagem caótico, Seu Bonanza decide gravar um filme romântico. Sozinho, entregue às suas paixões e devaneios, ele transforma objetos simples do cotidiano nos protagonistas de uma história de amor inventada. Entre danças, fantasias e risos o palhaço compartilha suas visões sobre o amor, ora sinceras, ora absurdas, e questiona, à sua maneira, os clichês das relações afetivas. Um espetáculo que se destaca pelo aspecto artesanal e visual da cena, e convida o público a revisitar a temática do amor pelo humor da palhaçaria.
Ficha técnica
Pesquisa, criação e atuação: Rodrigo Costa
Direção: Adriane Gomes
Composição da luz: Gabrielly Arcas
Composição da trilha sonora: Tonho Costa
Composição do figurino: Adriane Gomes
Operação de luz: Thiago Leite
Arte gráfica: Fernando Ito
Videomaker: Marcus Felipe D’ Antônio (Meninão)
Aparelhos sonoros: Zé Pires
Produção executiva: Letícia Pocaia
Concepção, produção e realização:
Seu Bonanza - Núcleo de Pesquisa, Criação e Produção em Palhaçarias
Duração: 50 min
Faixa etária: Acima de 16 anos
Proposta de Encenação
Seu Bonanza em Jogo do Amor dá continuidade à pesquisa de Rodrigo Costa, que há mais de quinze anos investiga, por meio da figura do palhaço Seu Bonanza, a poética dos objetos. Neste trabalho, a cena se afirma como espaço de descoberta e reinvenção. A partir de objetos simples do cotidiano, o palhaço cria um universo cênico em torno do amor, desdobrando a linguagem iniciada em Seu Bonanza e aprofundando a construção de de uma narrativa visual que se desenvolve no jogo da palhaçaria. A dramaturgia do espetáculo se constrói como uma experiência em que o amor, distante de qualquer idealização, emerge nos pequenos erros e na persistência de um palhaço-diretor em busca de seu filme. A direção da Profa. Dra. Adriane Gomes foi decisiva para a montagem, conduzindo o processo com escuta, rigor e sensibilidade. Em vez de impor uma forma externa, seu acompanhamento buscou criar condições para que a cena emergisse da relação de jogo do palhaço com os objetos. Desse modo, o espetáculo se consolidou como um espaço de investigação, no qual os objetos tornaram-se matéria de criação. No espetáculo a temática do amor é colocada em jogo não como discurso, mas como experiência cênica atravessada pelo inesperado, pela fragilidade e pelo humor. A narrativa se desenrola em um set de filmagem caótico, espaço instável onde Seu Bonanza aparece sozinho, imerso em seus devaneios, lembranças e paixões. Esse ambiente evidencia o desejo de contar uma história de amor e, ao mesmo tempo, revela que o amor não se deixa organizar ou controlar. O set, sempre à beira do colapso, nos mostra o estado emocional do palhaço, para quem amar é também perder o equilíbrio, errar e recomeçar. Na tentativa de curar as dores de um coração apaixonado, Seu Bonanza decide filmar a própria história de amor. Surge, então, a fantasia de um filme romântico, Joanito e Esmeralda, dirigido e protagonizado por ele mesmo. Ao assumir todos os papéis, o palhaço evidencia a solidão de quem ama, mas também a potência imaginativa que nasce desse estado. Em meio ao desarranjo do set, cada objeto passa a atuar como recurso cênico ou personagem, ganhando novos sentidos na construção da cena. É nesse jogo que a dramaturgia encontra sua força: os objetos tornam visíveis os afetos, os conflitos e as contradições do amor. Sem fronteiras rígidas entre realidade e imaginação, o espetáculo propõe um universo em que o amor se apresenta como fio condutor da ação cênica, enquanto a comicidade brota da vulnerabilidade do palhaço e da reinvenção constante do objeto como poética narrativa e visual. Assim, a encenação se constrói na linguagem da palhaçaria e trata o amor não como ideal romântico, mas a partir daquilo que ele tem de humano, frágil e profundamente risível.























